29 de dezembro de 2014

Buzz zz z zzz

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Não me permitir voar,
não me permitir flutuar quando eu bem quiser,
não seria justo: não me permitir viver.
E se eu precisasse dizer,
enfrentar,
talvez até sentir o medo todo de novo,
eu aceitaria novamente.

Eu não seria quem eu sou hoje sem todo o esforço,
eu poderia culpar a sorte,
mas eu sei que não.

Dependeu só de mim sair do casco rígido e forte,
enfrentar o meu gigante que é tão pequeno para os outros.
Dependeu só de mim abrir as asas frágeis
e voar até saber que consegui.

30 de novembro de 2014

Valor II

 Quando:

  1. Algo é valioso, precisa ser dito. Eu que me expresso tão mal em fala, é quase um esforço hercúleo falar em voz alta o quanto as pessoas me fazem bem. Estou em treinamento;
  2. Algo é valioso, precisa ser mantido. Antes a sinceridade pura de poucos no mundo do que uma multidão que não vai estar ali por muito tempo;
  3. Algo é valioso, não pode ser quebrado. Jamais. Depois, não há reconstrução ou perdão que volte atrás. Não é frieza de coração. Basta aplicar aos outros o que gostaria que aplicassem com você e jamais correr o risco de ferir alguém;
  4. Algo é valioso, precisa ser ouvido. Falar as coisas mais importantes involuntariamente... As vezes acontece. Escapa. Normalmente as palavras são milimetricamente pensadas. Se algo "a mais" é dito, veio da emoção;
  5. Hoje é domingo, não tem nenhum movimento na rua. Dá pra ouvir passarinhos nas árvores das ruas vizinhas. Algo inigualável. 




9 de novembro de 2014

Valor I

Uma das virtudes do tempo passar é saber quem é quem. Você reconhece as tentativas e não se deslumbra com o mistério. O que é simples passa a ter mais valor. Todas as artimanhas e espirais de histórias mirabolantes dão lugar à atos, fatos e ações. Você nunca mais cai em conversa repetida. Você conhece o jogo e o jeito que cada um joga. Você vai ver gente nova fazendo velhos truques todo dia. E vai rir com isso.


Surpreender as pessoas não envolve escancarar ou omitir o que se é. Mas sim mostrar o melhor de si que ninguém nunca viu. E fazer isso com cada vez mais frequência.

17 de setembro de 2014

Um mês e um dia a mais...

desde a última vez que escrevo o que passa na mente.
Ainda passa na mente, mas de tão tímido, deixo pra lá.

Toda vida é assim: se me agito quero sossego, se ganho paz logo me declaram guerra.

Eu só queria poder deitar a cabeça tranquila no travesseiro. Que de tanto pensar, afundo mais e mais algumas toneladas toda noite.

Todo sorriso é troco de algo, mas o amargor que me causas vale peso dobrado. A dor multiplica por duas, quando duas alegrias ainda não tenho.

Nunca nunca equilibra. Mesmo sendo gêmeos com ascendente em libra.


16 de agosto de 2014

Cores frias: azul

Um domínio de sentimentos que às vezes assusta. Diálogos com a razão são cotidianos... Nem preciso mais me esquecer de algo. Tudo fica organizado nas gavetas da memória.


20 de julho de 2014

Conselho

Se eu tivesse que dar um conselho para qualquer pessoa, conhecida ou desconhecida, amiga ou distante certamente seria esse:

"Não minta sentir algo. Não minta se importar. O certo seria, na realidade, não minta. Quando você mente para uma pessoa e depois outra, e caso estas pessoas descubram mutuamente a verdade, todo o sentimento puro se transforma em ódio à farsa. Não confunda 'ser uma pessoa excêntrica' com 'ser uma pessoa farsante' perante aos demais."


*René Magritte pintou algumas das obras mais incríveis do Surrealismo, na minha opinião. Qualquer uma tem significado tão grande que viraria tatuagem fácil, fácil.

6 de julho de 2014

Terra e seus habitantes que gostam de escrever

Após um período de sobrevivência e longos períodos vivendo de verdade, não poderia deixar de resumir uma parte do que eu já vivi e já senti.

Nos períodos de sobrevivência, e podemos chamá-lo de "guerra silenciosa", a máxima "a melhor defesa é a indiferença" foi o melhor escudo que eu poderia utilizar. Em resposta a pequenos traumas sofridos, simplesmente ignorei totalmente as ações dos autores dos ataques e planejei com frieza as formas em que eu sairia do campo de batalha. Foi tudo muito bem calculado: o fator "emoção" estava definitivamente fora de cogitação e talvez isso tenha me ajudado muito a enfrentar algumas coisas sem que meu coração mole fosse feito de bobo. A indiferença foi tanta que eu era a tirana para os adversários e a moça sorridente que colocava flores nos canos de fuzis para os meus amados companheiros. Ou seja, emoção inversamente proporcional às máscaras vestidas.

Depois de teoricamente vencer a guerra silenciosa, vieram os "tempos de glória". Muita alegria e exageros estampados para quem quisesse ver (e até quem não quisesse). Eu havia gostado da minha postura indiferente, então usei por mais um tempo esse fator com algumas modificações mais irônicas e críticas em minha convivência com os demais. Não eram raras às vezes em que eu era caricata. Gosto específico, trajes previamente pensados, humor ácido exageradamente, e uma relação emotiva um tanto quanto palhaça e desleixada. Eu havia vencido o mundo e nada era melhor do que tirar sarro disso.

Mas esse tipo de comportamento só pode vigorar se você olhar apenas pra si mesmo. Nesse momento eu estava virando o tipo de pessoa que mais ironizava, estava virando aquelas pessoas que precisam passar uma imagem de que todas as minhas atitudes estavam sob controle, eu me garanto, eu sou autêntico, "minha camiseta de banda é muito melhor que essa sua bunda de fora" e bla bla bla. Não poderia haver mentira maior na glória. Foi quando passei a olhar para os demais, mas não com olhar de crítica, e sim olhando os comportamentos, as intenções por trás das ações, os sonhos, os ideais e que as pessoas podem mudar de opinião de forma sincera. Quando se percebe que se gosta dessas pessoas não pela afinidade mas porque elas são pessoas e você precisa de pessoas, você precisa DESSAS pessoas. Passei a viver de uma forma diferente e bem menos alardeada.

Ainda não sei nomear essa terceira etapa, mas é algo como "não seja sua própria juíza e executora" e isso fez muito sentido pra mim. É muito fácil você simplesmente não se importar com algo ou alguém, ou quando se importar, utilizar de armas baixas para demonstrar isso: xingando outras pessoas para proteger as "suas pessoas", criticando algum tema ou mostrando-se super inteligente sem realmente se aprofundar em algo, ou fazendo piada de outros e acabar criticando quando fazem piada com você e seus protegidos.

O mundo evolui conforme evoluem seus habitantes. E definitivamente, se eu tiver a oportunidade, não quero evoluir sozinha.


19 de abril de 2014

Footprints

Preciso de sinais me mostrando que estou no caminho certo. Não sou muito persistente quando estou perdida. Não quero ficar confusa e mudar de direção.


Talvez eu esteja perto, mas está ficando difícil de ver os vestígios.

7 de abril de 2014

Dia 1

Hoje eu passei pela mesma rua em que os mesmos cachorrinhos outrora brincavam no meio da estrada cheia de poeira. Mas hoje só havia um deles lá. De noite, desliguei o farol pra não acordar o cachorrinho preto dormindo no buraco no meio da rua, mas ele acordou.

Pelo retrovisor vi que ele, em pé, ficava olhando pra mim. Fofo! Mas cadê seu amigo peludo e branco?

Imaginei se ele não estava procurando tanto quanto eu...

28 de janeiro de 2014